domingo, 30 de março de 2008

O homem das Unhas

Começou a ter medo de sair de casa, evitava olhar para o sol com medo de se queimar.
"Se minha pele mudar de tonalidade vão me despedir"
Aos poucos não queria mais atender o telefone, porque tinha medo de receber cobranças. E foi evitando a família, até a sua mulher declarar que "casou com um homem inconstante, sem nenhuma visão de uma vida digna". Os filhos também não visitavam mais sua casa, cada vez mais suja, por que ele tinha medo de cair e quebrar alguma parte do corpo.
As semanas voavam e seu corpo inchava, na pele surgiram crostas e nódulos anormais, suas unhas não paravam mais de crescer, avançava até a janela do vizinho.
Os bombeiros foram chamados, cortavam toda semana suas unhas de ferro, depois começou a ficar uma coisa diária. O bairro contestava, fizeram até uma petição para que o homem das unhas enormes fosse movido para outro distrito.
Mas era impossível deslocá-lo.
Curiosos rondavam a casa, até arrombá-la e passarem o dia do lado desse homem. Outros chegavam com comida e cortadores de unha, simpatizantes e solidários.
Uns falavam que ele era o Messias, outros só tinham pena. Até ele começar a dar ordens, milhares foram morrendo ou declarando falência, uma questão de saúde publica foi surgindo, o governo já não sabia como controlar, tinha seguidores até no exercito.
Até que um dia falaram "Porque não matam o homem das unhas?

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